Nosso Compromisso com a Vida
Thich Nhat Hanh
PALESTRAS DE DHARMA Nosso Compromisso com a Vida
Proferido em idioma Inglês pelo Venerável Thich Nhat Hanh Transcrito e editado por Carol Fegan, Chan Um Cu Revisado por Brendan Sillifant Traduzido ao Português por Claudio Miklos
Para livre distribuição, como exercício de Dana. Aqueles que desejarem oferecer uma doação ao Templo orientado por Thich Nhat Hanh, podem envia-la para o seguinte endereço:
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© Thich Nhat Hanh
Dharma Talk given by Thich Nhat Hanh on July 6, 1998 in Plum Village, France.
Querido Sangha, hoje é o décimo sexto dia de julho, 1998, e esta é a primeira palestra de Dharma para a Abertura de Verão. Eu gostaria de convidar aos jovens a se juntarem hoje para discutir sobre como usufruir da prática, da Abertura de Verão, porque deve haver coisas que vocês gostariam de fazer para sua prática ser mais frutífera, mais alegre; e nós temos que nos reunir [para falar] sobre isso. Assim os jovens acharão tempo para se encontrar hoje e discutir estes assuntos: vocês gostam de praticar com os adultos, e o quanto querem compartilhar sua prática? Claro que, como jovens vocês gostam de estar juntos em grupo, e podem gostar de ter práticas próprias, mas de vez em quando vocês também desejam participar das atividades de outras pessoas. Assim, discutam o quanto querem praticar por sua própria conta, e o quanto vocês querem praticar com outros grupos de pessoas. E depois eu gostaria que vocês discutissem sobre a alegria e as dificuldades em sua vida diária, porque eu gostaria de saber mais sobre sua vida diária para oferecer-lhes apropriado ensinamento e práticas.
Quais são os tipos de dificuldades que vocês encontram em sua vida diária, em sua família, na escola? Por favor, façam um debate muito completo, e escrevam sobre todos os tipos de dificuldades que encontram em casa e na escola. Nós temos que poder chamar estas dificuldades pelos seus verdadeiros nomes: o que vocês não gostam que aconteça na escola, o que não gostam de ver acontecendo em sua família. Eu preciso muito que vocês me falem quais são os tipos de dificuldades que encontram em casa, ou na escola, ou na sociedade. E então eu gostaria que vocês também me falassem sobre a sua alegria e felicidade diárias, que tipo de coisas vocês gostam em sua família, na escola e na sociedade. Levem tempo para se sentar quietamente e recordar, e pensar, não como um indivíduo, mas como um grupo, e cada pessoa ajudará os outros a se lembrar de que tipo de alegria, que tipo de felicidade, o que vocês gostam que aconteça em casa, na sociedade, na escola. É o oposto do que nós há pouco discutimos, quando mencionamos o que repugnamos, e não queremos que aconteça. O segundo tópico [então] é o que está acontecendo que vocês realmente gostam, na escola, na sociedade e em sua família. Em terceiro lugar, eu penso que isto é importante, o que vocês realmente gostam, mas não tem acontecido… o que desejam que aconteça, mas não aconteceu, e o quê vocês pensam que seriam as condições para isto vir a acontecer.
Eu penso que vocês podem discutir entre si, como jovens, e então podem falar com outras pessoas, adultas, e terão uma visão mais profunda, uma visão mais clara sobre o que tem acontecido, e por que as coisas que vocês desejam não aconteceram. Esta discussão já é a prática de meditação, porque para mim, meditar pretende ser ficar em silêncio e olhar profundamente nossa situação, para realmente descobrir o que existem ali. E quando vocês se sentam juntos calmamente e praticam a observação conjunta, começarão a ver as coisas mais claramente. Eu gostaria que vocês registrassem tudo que virem em sua prática de observação conjunta.
Eu sei que vida às vezes é difícil, e mesmo ainda jovens vocês já sofreram. Mas o Buddha diz que sempre há uma forma de sair do sofrimento, entretanto vocês não poderão ver esta saída a menos que percebam a natureza de suas dificuldades muito claramente. Vocês têm apenas onze, ou doze, ou treze anos, mas já sofreram. Vocês têm quatorze, quinze, ou dezesseis anos, são quase adultos, contudo vocês têm a impressão que a vida já é muito difícil. Toda minha vida eu estive em contato com pessoas jovens. Eu consegui sempre estar em contato com pessoas jovens. Eu gosto de escutá-las, eu gosto de entender seu sofrimento, suas dificuldades; eis por que estou muito interessado em ouvir falar mais sobre o que realmente está acontecendo, e vocês são aqueles que podem me ajudar. Em retiros que organizo em muitos países, eu dou boas-vindas sempre aos jovens para vir e praticar conosco. A presença de jovens faz os retiros mais vivos. Sua prática de olhar profundamente em conjnto será uma grande ajuda para mim. Porém, se vocês pensam que hoje não podem terminar esta prática de olhar suas dificuldades e suas alegrias profundamente, podem organizar outras reuniões amanhã e depois de amanhã. E o fruto de sua prática será aproveitado por outros grupos depois de vocês. Então percebam, por favor, em primeiro lugar, o quanto vocês querem praticar com os adultos, e o quanto querem praticar como um grupo de jovens; as dificuldades, o sofrimento que vocês encontram em sua vida diária, em casa, na escola, e na sociedade; o tipo de alegria e felicidade que vocês podem ter diariamente na escola, na sociedade, e em casa; e finalmente, do que vocês gostam, o que pensam ser maravilhoso, ser enaltecedor, ser saudável, mas que ainda não aconteceu; e que tipo de condições vocês precisam para que estas coisas aconteçam.
Quanto às crianças muito jovens, eu gostaria que desenhassem uma onda para mim, no papel. Vocês sabem o que é uma onda? Uma onda é o que vocês vêem quando olham o oceano, ou um rio. Vocês sabem que uma onda é feita de água. Tentem também desenhar a água. É muito difícil - não sei se vocês poderão desenhá-la. Eu estou seguro que podem desenhar uma onda, mas se não forem capazes de desenhar uma onda, tentem desenhar a água. Vocês acham que podem fazer isto? Havia uma criança que tinha desenhado uma onda, e eu lhe perguntei, "e onde está a água"? Ela era muito inteligente, ela apontou a onda e disse, "Esta é a água ". Mas vocês podem ter outras idéias. Nós sabemos que a água e a onda não podem ser separadas. Às vezes a água está imóvel, e às vezes não está imóvel. Quando não está imóvel, a água se torna as ondas. E quando a água está parada, o que se torna? Vocês podem desenhar isto?
Nós temos um poema que nos ajuda a praticar: "Inspirando, eu me vejo como uma flor; expirando, eu me sinto refrescado". E os jovens podem praticar este exercício. Você inspira e visualiza seu eu como uma flor. "Inspirando, eu me vejo como uma flor; expirando, me sinto refrescado". Penso que os adultos podem praticar também. É fácil ver as crianças como flores. Tudo na criança se parece com uma flor: seus olhos são um tipo de flor, seu nariz também é um tipo de flor, suas bocas, mãos, pés e faces se parecem flores. Assim não será difícil se visualizarem como uma flor, porque vocês são flores por si mesmas. "Inspirando, eu me vejo como uma flor". Uma flor sempre está fresca e bonita. E essa é um das razões que eu gosto de ter crianças conosco durante retiros. Elas são flores…queremos decorar o retiro com flores, e as crianças também são belas flores. "Inspirando, me vejo como uma flor; expirando, me sinto refrescado". Os adultos também são flores, mas muitos deles não sabem manter em si esse estado de ser florido. Eis porque sua flor está de alguma maneira um pouco cansada. Assim esta prática é restabelecer seu estado de ser florido, de forma que vocês estarão novamente frescos. Vocês sabem que podem ser iguais a frescas crianças , mas porque muitos de nós não tivemos a oportunidade de aprender a manter nosso estado florido, nossa flor sofreu. Nós também temos olhos bonitos como crianças, mas porque choramos tanto, não dormimos bem tantas noites, nossos olhos parecem cansados. Mas se você sabe cuidar de seus olhos, eles se tornarão flores novamente. Assim como sua face, sua face era originalmente uma flor, mas porque voces não cuidaram bem se seu estado florido, esta expressão de desespero e fadiga faz suas faces parecerem menos com uma flor. Assim esta prática é muito útil: "Inspirando, eu me vejo como uma flor" - vocês restabelecem seu estado de ser florido "Expirando, eu me sinto refrescado".
O segundo exercício é: "Inspirando, eu me vejo como uma montanha ". Acreditem ou não, dentro de vocês há uma montanha, um elemento de solidez, estabilidade - vocês não podem tirar a montanha de si mesmos. Há uma montanha em vocês: a capacidade de ser sólido, ser estável.
Porque nós não cuidamos de nossa montanha, perdemos muito deste elemento de estabilidade e solidez dentro de nós. Assim sente-se novamente como uma montanha, aprenda a se sentar novamente como uma montanha, aprenda a posição de meio-lótus, aprenda a posição de lótus, ou aprenda a posição de crisântemo. Vocês sabem como é a posição de crisântemo? Essa é a posição que você achar mais confortável, com ou sem uma almofada. Assim, "Inspirando, me vejo como uma montanha; expirando, me sinto sólido". Você sabe que a posição sentanda é um das posições mais bonitas do corpo humano? Um meio-lótus, lótus ou crisântemo - encontre uma posição que o ajuste melhor e use uma almofada ou duas. Sua almofada poderia ser mais espessa, mas você tem que tentar achar uma almofada com que você possa se adaptar. Quando vocês acharem sua posição, sua posição de crisântemo com a almofada, estou certo que poderão se sentar durante pelo menos vinte minutos como uma montanha. E sentar assim é um modo maravilhoso de restabelecer sua montanha. Nós sofremos porque somos menos que uma montanha. Somos frágeis, somos vulneráveis, mas há uma montanha em nós, e temos que restabelecer isto, e praticar a meditação sentada é um dos modos de fazer isto.
Crianças também são capazes de se sentar; se elas não se sentam meia hora, então podem se sentar dois minutos, ou três minutos. Estou certo que vocês podem se sentar como uma montanha durante dois ou três minutos. Eu gostaria de ver cada um de vocês se sentando naquela posição, e então alguém pode tirar uma foto mostrando vocês como uma montanha, assim, sorrindo: "Inspirando, eu me vejo como uma montanha; expirando, eu me sinto sólido". Solidez é uma condição básica para a felicidade. Se vocês não estão sólidos, sofrerão. Assim, restabelecendo o elemento de solidez dentro de vocês significa que podem estar felizes imediatamente. "Flor fresca, montanha sólida".
(Sino)
Desfrute sua respiração!
Em primeiro lugar, "Flor refrescante", e então, "sólida montanha". Agora vamos ao terceiro exercício: "Espelho D´água". "Inspirando eu me vejo como a água sem movimento". Vocês sabem que a água parada não é uma onda. Às vezes vocês gostam de ser uma onda - é maravilhoso ser uma onda, subindo muito alto, e abaixando bem fundo. Mas às vezes você está cansado, não quer ser mais uma onda. Quer apenas ser a água sem movimento. Ser água parada também é uma grande alegria - vocês se sentem calmos, quietos, e desfruta a paz e a quietude que estão em você. Eu sei que os jovens gostam de ser ondas, mas eles deveriam saber que também é maravilhoso ser água parada. Vocês já viram uma lagoa que muito imóvel? Você olha a água e vê refletido nela o céu azul, as nuvens, as árvores. Você pode tirar até mesmo uma foto do céu e das nuvens apenas apontando sua máquina fotográfica para a água, porque a água imóvel reflete as coisas perfeitamente. A água parada não distorce as coisas. Quando você não está imóvel, distorce as coisas. Quando sua mente não está imóvel, distorce tudo. Uma outra pessoa não a odeia, mas você acredita que sim. Isso é uma distorção, porque sua "água", sua mente, não está imóvel. Então é muito importante praticar de forma que sua mente se torne como água sem movimento. E agora vocês sabem por que eu lhes pedi que desenhassem água imóvel. "Inspirando, eu me vejo como água imóvel; expirando, eu reflito as coisas como elas são". Isto é muito importante. Nós não deveríamos ser vítimas de nossas percepções erradas. Para que nossas percepções não estejam erradas, nossas mentes deveriam estar sem movimento, igual a água. E há modos de ajudar sua mente a se tornar como água parada.
O último exercício é: "Inspirando, eu me vejo como o espaço; expirando, me sinto livre". O espaço é muito importante. Imaginem um pássaro sem espaço. Um pássaro sem espaço não pode voar; iria morrer. Nós humanos somos como pássaros: se não há nenhum espaço ao nosso redor não poderemos nos mover. Se não há nenhum lugar dentro de nossos corações nós também não poderemos nos mover. Assim é muito importante praticar para nos dar muito espaço interno, praticar para dar a nosso ente querido um espaço de forma que possa se mover, assim ele pode respirar. Essa é a prática do amor. Assim vocês podem se perguntar se o amam, ou se a amam. Se vocês o amam, se vocês a amam, lhes darão muito espaço, tanto dentro como ao redor dele ou dela. É muito importante criar espaço em nós mesmos, e restabelecer o espaço ao redor de nós. E nós aprenderemos a fazer isto juntos.
Eu gostaria que todos cantassem comigo a canção: "Flor Refrescante" de forma que nós a memorizemos, e começaremos a aprender a praticar como uma flor, uma montanha, água imóvel, e o espaço:
Inspirando, expirando, Inspirando, expirando, Eu desabrocho como uma flor, Eu estou fresco como o orvalho. Eu sou sólido como uma montanha, Eu sou firme como a terra. Eu sou livre.
Inspirando, expirando. Inspirando, expirando. Eu sou [como] a água refletindo O que é real, o que é verdadeiro. E eu sinto que há [muito] espaço, Profundamente dentro de mim. Eu sou livre, eu sou livre, eu sou livre.
Vamos cantar mais uma vez? Creio que podemos cantar em francês:
Quand J´inspire, quand j´expire, Quand J´inspire, quand j´expire, Je me sens comme une fleur, Aussi fraiche que la rose est. Je suis solide comme une montagne, Je suis firme, terre de la de comme. Je suis libre.
Quand J´inspire, quand j´expire, Quand J´inspire, quand j´expire, Je suis l´eau reflectante Ce qui est vrai, ce qui est beau. Et je sens il y a l´espace Três profonde en moi Liberte, liberte, liberte.
Creio que temos outras versões prontas… hoje aprenderemos a versão italiana, a vietnamita, e assim por diante. Agora penso que é tempo das pessoas muito jovens se levantarem, se curvar ao Sangha e sair.
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A transformação e cura que estamos procurando não está fora de nós, está dentro de nós. É igual à onda: se ela quiser ficar imóvel, a quietude não poderia ser obtida do exterior, ela está na própria água.
Nós temos a capacidade de ser uma onda, mas também temos a capacidade de ser água parada. Assim procuramos paz, procuramos estabilidade, procuramos estar bem dentro de nós mesmos, e estas coisas não são algo que possamos obter fora de nós. Mas talvez existam aqueles que estão acostumados a ser ondas, e esquecemos como voltar a ser água imóvel novamente. Nós sabemos que ainda temos a capacidade de nos tornarmos água parada de novo, mas esquecemos como fazer isto. Eis porque precisamos da prática. Precisamos de um professor que nos diga como restabelecer nossa estabilidade, nossa quietude. Precisamos de um irmão de Dharma, uma irmã de Dharma, precisamos de um Sangha para aprender a ser estável e imóvel novamente. A Paz é, em primeiro lugar, algo que você é, e não exatamente algo que você faz. É por isso que nós gostamos de usar a expressão "estando em paz", o meio para ser pacífico. Paz está ali, e apenas se nós permitimos que ela seja, então ela será. Porque nós não permitimos que a paz possa existir, é o que faz a paz é impossível. Nós não podemos dizer que paz não está lá, a paz está presente de alguma maneira, mas temos que permitir que ela se manifeste. É como em uma onda - há água, e a capacidade da água para ser imóvel está ali dentro da onda. É por isso que aprender a estar em paz, permitir que a paz possa existir, é muito importante. Há um tipo de energia que está nos empurrando dia e noite, evitando que nossa paz se exponha. Dentro do Budismo ela é chamada energia vasana e significa "energia de hábito". Temos que aprender a reconhecê-la. Nós não temos que lutar contra ela, temos que aprender a reconhecê-la em nossa vida diária, e quando podemos reconhecê-la e sorrir para ela, perderá sua energia, e isso nos permitirá não sermos arrastados por ela. Vasana, "tap khi", é como chi gong, energia de khi, e "tap" significa o que você aprendeu tanto que se tornou um hábito, assim nós traduzimos como "energia de hábito".
Nós temos inteligência mais que suficiente para saber que se dissermos certas palavras, prejudicaremos nossa relação com outras pessoas. Todavia, quando chega o momento, não podemos nos conter -- nós acabamos falando. Nós sabemos que não deveríamos fazer isto, porque se o fizermos, isto causará danos para nossas relações, e ainda assim fazemos isto. Nós dizemos, "foi mais forte do que eu". O que foi mais forte do que você? A energia de hábito. Nós sabemos muito bem que não deveríamos dizer estas coisas, que não deveríamos fazer estas coisas; sabemos que aquela declaração muito claramente destruirá nossa relação, causará muito dano. Ainda assim nos achamos na situação, e dizemos, ou fazemos. E depois do prejuízo, depois que o dano foi feito, lamentamos muito e dizemos, "Por que eu disse aquilo, fiz aquilo? Eu já sabia que se dissesse aquilo, se fizesse aquilo, eu causaria dano, e ainda assim eu o disse, eu fiz". E prometemos a nós mesmos que não faremos novamente, não falaremos novamente. Sabemos que somos muito sinceros naquele momento, queremos começar novamente. "Esta é a última vez que isto acontecerá. Eu nunca repetirei isto novamente". Ainda assim, porque a energia de hábito sempre está lá, quando você se acha no mesmo tipo de situação, dirá aquelas coisas novamente, fará aquelas coisas novamente. E o dano continua, sabemos que leva vários meses para consertar o erro, contudo leva só alguns minutos para que o dano seja causado. Nós aprendemos a lição, contudo não conseguimos praticá-la, porque a energia de hábito é muito forte.
Nós somos ensinados a praticar a plena consciência para reconhecer a energia de hábito toda vez que se manifesta. Plena consciência também é um tipo de energia, o tipo de energia que pode nos ajudar a nos darmos conta do que está acontecendo, como quando eu olho minha mão e sei que estou olhando para minha mão, esta é a plena consciência do olhar. Quando eu bebo um pouco de água e sei que estou bebendo água, esta é a plena consciência do beber. Quando caminho, se eu sei que estou caminhando, esta é a plena consciência do andar. Quando respiro, se eu sei que estou respirando, esta é a plena consciência da respiração. Essa é a prática que fazemos em Plum Village para gerar a energia de plena consciência. E a energia de plena consciência é o único tipo de energia que pode reconhecer a energia de hábito toda vez que é manifestada. Eis porque a prática da caminhada atenta, atenta respiração, atenta alimentação é muito importante, porque a todo momento você pratica a plena consciência do andar, ou do comer ou do respirar, você gera, cultiva aquela energia de plena consciência em si. Aquela energia é tão importante porque lhe ajudará a reconhecer o que está acontecendo, e então quando a energia de hábito é manifestada, saberemos imediatamente. "Olá, minha energia de hábito, eu a reconheço". E você simplesmente sorri para ela, e então ela não pode fazer nada mais à você. Não há nenhuma luta. Não é necessário lutar. O modo budista é muito gentil, muito não violento. Simplesmente se dê conta daquele hábito, sorria para ele, "Meu querido amigo, eu o conheço", isso é tudo, e sua energia de hábito irá voltar para o depósito da consciência um pouco mais fraca. E da próxima vez que se manifestar você dirá, "Minha querida pequena energia de hábito, eu sei que você está aí. Eu cuidarei de você". Então ela regressará novamente para o depósito de consciência.
Eu gostaria de lhes contar uma história de um jovem que veio da América e praticou aqui, penso que há mais de dez anos atrás. Durante as primeiras três semanas, ele desfrutou muito da prática. Desfrutou da estabilidade e alegria durante a prática, porque a prática do Sangha em Upper Hamlet era muito forte. Ele foi apoiado pelos monges e os leigos que praticavam aqui, e estava bastante contente. Um dia ele foi enviado pelos seus companheiros praticantes americanos a Ste. Foy-la-Grande, a cidade próxima, fazer algumas compras, porque naquele dia nós organizamos um Dia de Ação de Graças, e era esperado que cada grupo nacional cozinhasse um prato típico daquela nação para ser colocada no altar ancestral. E ele foi enviado por seus companheiros americanos a Ste. Foy-la-Grande para fazer as compras. Era a primeira vez em que deixava Upper Hamlet para ir a uma cidade. Durante o tempo que estava fazendo compras, ele percebeu de repente que estava apressando, não havia mais nenhuma calma ou estabilidade, porque ele queria fazer as coisas muito depressa. E isso não era agradável, porque nas três semanas anteriores ele não tinha sentido aquele tipo de sentimento, aquele tipo de energia. Mas como ele tinha estado praticando a respiração atenta, ele pôde reconhecer que a energia de pressa estava nele, a energia de querer fazer as coisas muito depressa estava nele. Ele era capaz de ver que aquela energia tinha sido transmitida a ele pela sua mãe, porque ela sempre era assim, sempre apressada e querendo fazer as coisas muito depressa. Àquele ponto ele fez uma respiração profunda, e disse, "Oi, Mamãe". De repente a energia de se apressar não mais estava lá. E ele soube que sem o Sangha ao seu redor deveria praticar fortemente, e seguiu sua prática de respirar atentamente até que terminou as compras, e daquele momento em diante a energia de pressa não estava mais com ele.
Quando você é apoiado por um Sangha forte e uma prática forte, a prática se torna uma energia de hábito muito fácil, e as energias de hábito negativas não terão nenhuma ocasião para se manifestar. Mas quando você se acha só, e não é apoiado pela energia da comunidade, aquelas energias de hábito negativas podem surgir repentinamente e podem se manifestar, e vocês têm que estar equipados com plena consciência para poder reconhecê-las, e não deixar que elas os conduzam e os empurrem para fazer coisas que não querem fazer, dizer coisas que não querem dizer.
Quando vocês praticam o andar atento e a respiração consciente, permitem a paz surgir. As energias negativas ainda estão em vocês, mas elas não se manifestam. Se vocês continuam, se sua prática funciona, então as energias negativas serão transformadas pouco a pouco na profundidade de suas consciências. Elas são transformadas de dois modos. O primeiro modo é que quando se manifestam, vocês as reconhecem, sorriem para elas, e toda vez que fazem assim elas regressarão para a forma de semente no mais baixo nível de suas consciências e elas perderão um pouco da força, pelo fenômeno de "descarga". Sua energia de hábito ainda estará lá, mas perderá um pouco de força toda vez que for abraçada por sua plena consciência. Assim da próxima vez que se manifestar, vocês fazem o mesmo, envolvem-na, vocês a reconhecem, e ela perde um pouco de sua força regressando para o mais baixo nível de sua consciência. E esse é o primeiro modo de ajudar tal energia a se transformar.
O segundo modo é o que você continua cultivando a energia de paz, a energia de plena consciência, e durante uma hora de meditação andante ou de respiração atenta, você nutre e cultiva a energia de paz e plena atenção em si, porque as energias de paz e plena atenção também têm suas próprias sementes no mais baixo nível de sua consciência. E estas sementes continuam crescendo em vocês, e quando elas são importantes, sabem cuidar dos tipos opostos de sementes. Vocês não têm que tocar as sementes negativas diretamente. Vocês cultivam apenas as energias positivas em si, e durante o tempo em que vocês dormem durante suas vidas cotidianas, as sementes positivas, as sementes de paz e estabilidade, saberão cuidar das sementes negativas, e também haverá uma transformação, até mesmo se vocês não lidam diretamente com elas. Eu tenho muitas histórias para contar sobre isto.
Quando fui exilado pela primeira vez de meu país em 1966, quando a guerra no Vietnã tinha ficado muito intensa, eu tive que deixar o país durante alguns meses para ir à Europa e aos Estados Unidos para defender um cessar-fogo, para o fim da guerra. Por tentar falar com a voz das vítimas da guerra e não com a voz das partes em disputa, não me permitiram ir para casa, e fui exilado de meu próprio país. Era muito duro para mim. Naquele momento todos os meus amigos estavam no Vietnã, todo meu trabalho estava no Vietnã, e seria muito difícil sobreviver se não fosse para casa. Tudo na Europa e América era muito estranho para mim. Não havia nenhum refugiado vietnamita no estrangeiro ainda. Eu tive que viajar extensivamente para falar sobre a situação no Vietnã, e fiquei dois ou três dias em cada cidade. Às vezes eu despertava durante a noite e não sabia em que cidade ou que país estava, por causa do extenuante circuito de palestras.
Durante o primeiro ano de meu exílio eu sonhava com a volta para casa. O mesmo sonho voltava novamente e novamente. Sempre eu via uma colina bonita, uma colina verde, com árvores bonitas e pequenas casas nela, e eu a estava subindo. Eu sabia que tudo o que amava estava naquela colina: meus amigos, meu trabalho, as pessoas que eu amei, estavam todos naquela colina. E sempre, a meio caminho para cima, havia algo me impedindo de continuar escalando. E sempre despertava naquele momento, e percebia que vivia exilado. O mesmo tipo de sonho voltou novamente e novamente. Mas em determinado momento eu estava praticando a plena consciência, reconhecendo o que estava acontecendo no momento presente. Eu aprendi a apreciar as árvores, os pássaros, as frutas, as pessoas, e as crianças na Europa e América. No Vietnã nós temos tipos diferentes de árvores, frutas e pássaros. Passei tempo com as crianças na Alemanha, na França, na Inglaterra e na América, falei e fiz amigos entre os pastores, os padres católicos e todos aqueles que gostariam de me apoiar ajudando a terminar com a guerra. Eu continuei fazendo amigos, continuei aprendendo a apreciar o que estava acontecendo no momento presente. A prática trouxe frutos, porque aquele sonho não voltou mais. Era como se tivesse adotado parte do mundo como minha casa. Eu não meditei sobre o sonho. Não, eu não analisei meu sonho. Eu não convidei meu sonho a surgir para ter uma conversa com ele, eu não fiz nada deste tipo de esforço. Eu apenas tentei habitar atentamente em cada minuto de minha vida diária na Europa e na América, pude tocar o que era maravilhoso, bonito e refrescante aqui nesta parte do mundo, e cultivei este tipo de alegria e relação. Foi exatamente esta alegria e tipo de relação que tomaram conta de minha dor de estar em exílio, e então experimentei uma transformação profunda em meu nível de consciência. Eu não trabalhei intelectualmente para isso.
Assim a transformação e cura podem acontecer de dois modos: o primeiro modo é que você as envolve diretamente e as observa profundamente. O segundo modo é cultivar simplesmente a energia positiva de paz, de solidez, de alegria, e então elas saberão cuidar da energia negativa dentro de vocês. Assim, a energia de hábito que nós temos dentro de nós… se nós a permitimos continuar nos empurrando em nossa vida diária, então continuaremos criando sofrimento para nós mesmos, e sofrimento até mesmo para aqueles que amamos. Eis porque temos que aprender a poder reconhecer e transformar isto, e vocês já sabem que o fator que pode reconhecer esta energia de hábito, o fator que pode envolver aquela energia e pode ajuda-la a se transformar, é a energia de plena consciência. Por isso uma hora de prática de plena consciência é uma hora para cultivar esta energia. Assim, quando nós vamos para Plum Village, deveríamos investir nosso tempo e nossa energia na prática de plena consciência, de forma que quando voltarmos para casa nós poderemos continuar, porque essa é a única energia que pode nos ajudar com transformação e cura. Eu costumava comentar para amigos católicos e protestantes que, para mim, a energia de plena consciência é equivalente à energia do Espírito Santo, e somos capazes de gerar este Espírito Santo dentro de nós mesmos.
(sino)
Energia de hábito se manifesta várias vezes por dia. Se você está atento, a reconhecerá em seu modo de andar, por exemplo. Existe uma crença de que aquilo que vocês procuram não está aqui, está em algum lugar no futuro. Vocês acreditam que as coisas que querem, seja paz, ou felicidade, estabilidade ou liberdade, Deus ou o Buddha, não estão disponíveis no aqui e agora. Assim há uma crença que temos de procurar em outro lugar, ou no futuro. Eis porque o modo como vocês andam está condicionado por este tipo de convicção. Vocês caminham como se a paz e a felicidade não estivessem disponíveis no aqui e o agora. Esta energia de hábito pode ser vista em todo passo que vocês dão. Vocês correm… e temos corrido por muito tempo, não só durante esta vida, mas em vidas prévias temos corrido, porque o hábito de correr estava lá em nossos antepassados e em nossos pais. Eles ainda continuam correndo em nós. Até mesmo quando nos sentamos e comemos nosso almoço, eles continuam a correr, a correr dentro de nós. Nós não somos capazes de comer nosso almoço em paz. Há aqueles entre nós que praticam fortemente - uma vez que se sentam, querem estar lá. E eles querem desfrutar seu almoço com os irmãos e irmãs que vieram, e desfrutar a prática com eles. Há uma forte determinação de parar no aqui e agora, e viver este momento de suas vidas diárias profundamente. Assim, sentando-se como uma montanha, não permitam que o passado e o futuro os levem para longe. Devolvam sua mente para seu corpo, e sentem-se lá como estar sentado fosse a coisa mais importante de suas vidas. E quando vocês comem seu almoço, comem seu almoço de tal modo que a paz e a alegria são possíveis. E para realmente fazer isso, vocês tem que parar de correr.
Quando cem pessoas, trezentas pessoas estão sentadas juntas e estão comendo o almoço juntas, várias são capazes de sentarem-se firmes no momento presente e não permitir que nenhum projeto, qualquer preocupação as invada. Sentando-se lá simplesmente e estabelecendo-se no aqui e agora, porque sentar com o Sangha é uma alegria, por si mesmo. Enquanto comemos, nós tocamos a comida que é um presente da terra e do céu, do cosmos, e nós desfrutamos profundamente nosso sentar e comer, nossa respiração. Nós desfrutamos nossa vida, expressada em nossa presença e na presença dos irmãos e irmãs que nos cercam. A única condição para isso ser possível é parar de correr. Nós temos corrido por muito tempo, e até mesmo durante nosso sono continuamos correndo. Aprender a parar é a prática mais importante da meditação budista. Parar no solo do discernimento (insight) o qual você está buscando já está no momento presente, no aqui e agora. O Buddha foi muito claro sobre isto. Não permitam que o passado os domine, não fiquem apegados ao passado porque este já passou. Não permitam que o futuro, preocupações sobre o futuro, os domine, porque o futuro ainda não está aqui. Existe só um momento para vocês estarem verdadeiramente vivos, e este é o momento presente. Podem ser tocadas todas as maravilhas da vida neste momento. Assim o Buddha foi claro sobre isso. Tudo o que pertence à vida está no momento presente; o céu azul, a face bonita de seu filho ou filha está lá, disponível no momento presente. Se vocês se perdem no futuro, em preocupações sobre o futuro, ou em lutas sobre o passado, a vida não estará disponível para vocês. Assim a condição básica é voltar para o momento presente, se permitir ser tocado pelas maravilhas da vida.
Há elementos que são bonitos, refrescantes e curativos. Se permitirmos a nós mesmos ser tocados por estes elementos, podemos restabelecer nosso bem estar, nossa paz. Como podemos fazer isso, a menos que aprendamos a deixar de correr, permitimos que nossos corpos descansem, permaneçam no aqui e agora, e permitimos que nossa mente esteja no presente, toque a vida. E esta é nossa prática. Quando nos encontramos sozinhos e tentamos praticar de acordo com os ensinamentos de um livro, pode ser difícil. Mas quando nos achamos em um Sangha onde todo mundo está fazendo o mesmo, então algo como a meditação andante será muito fácil. Vocês sabem que os monges, as freiras e as pessoas leigas que são residentes permanentes de Plum Village praticam a meditação andante todos os dias. Toda vez que eles precisam ir de um lugar para outro, até mesmo se a distância é de apenas dois ou três metros, eles sempre praticam meditação andante. Não há outro modo de andar além do andar atento. Vocês caminham de tal modo que todo passo pode trazer solidez e paz para vocês. Não é apenas durante retiros que nós praticamos assim, mas fora dos retiros caminhamos sempre assim, porque vocês podem desfrutar todo passo que fazem. Cada passo, faça-o mais sólido. Cada passo, faça-o mais calmo. E vocês cultivam a paz e solidez com cada passo que dão. Se você é um visitante que vem a Plum Village, e vê todo mundo caminhando deste modo, então poderá fazer isto muito facilmente porque você será relembrado por todo mundo. Todo mundo é um sino de plena consciência, chamando-o de volta à prática de andar atento. E quando você caminha, e experimenta a paz e a alegria, torna-se um sino de plena consciência. E quando nós lhe vemos caminhar assim, temos confiança. Se acontecer de nós ficarmos perdidos em nossas preocupações, no passado, no futuro, e nós lhe vemos caminhar assim, teremos uma chance de voltar ao aqui e agora e também desfrutar de nossos passos. Essa é a virtude de um Sangha.
O que desfrutamos aqui em Plum Village, quando aqui chegamos, é a presença do Sangha. Um professor sem um Sangha não pode fazer muito. Então, busquem refúgio no Sangha, tenham confiança no Sangha, rendam-se para o Sangha, e permitam que o Sangha os transportem como um barco no oceano. Essa é nossa prática. Não se preocupem, sabemos que nossa prática é cultivar plena consciência. Eis porque durante o tempo de comer, comemos de tal modo que a plena consciência está lá. Isto significa corpo e mente unidos, vocês realmente estão ali no momento presente, e desfrutam de seu almoço, desfrutam os irmãos e irmãs ao redor de vocês. Por favor não pensem no passado, no futuro, em nada - apenas sentem-se lá, permitam-se estar presentes. Estando simplesmente lá, comam de tal modo que a paz e a felicidade sejam possíveis, e seu espaço então se tornará a Terra Pura, o Reino de Deus. Se seu espaço é o Inferno ou o Reino de Deus depende completamente de vocês. Se vocês podem morar no aqui e agora, se podem deixar a paz, solidez e liberdade serem energias que os nutram naquele momento, então o pedaço de terra que vocês estão caminhando, se sentando, é a Terra Pura, o Reino de Deus. Tudo depende de nós.
No salão de meditação, nós sentamos e nós caminhamos. Qual é o propósito de sentar-se ou caminhar? Sentar-se é cultivar nossa estabilidade, nossa solidez. O sentar não é um exercício para você chegar a um certo estado da mente. Isto significa que você tem que gostar do ato de se sentar e simplesmente sentar-se por sentar. E no momento em que você gostar de sentar, a alegria e estabilidade já se tornam uma realidade. Quando somos uma onda, deixe-nos ser uma onda real. Quando queremos ser água parada, podemos ter prazer de ser água parada. Ser uma onda é maravilhoso, mas ser água parada também é maravilhoso. Se sentar é permitir que nossos corpos possam estar quietos, ser sólidos, e permitir que nossas mentes fiquem unas com nossos corpos. Enquanto nos sentamos podemos desfrutar nossa respiração, porque nossa respiração reunirá nossas mentes e corpos, e ajudará que se mantenham unidas nossas mentes e corpos. Todo momento de nosso ato de se sentar e respirar pode ser um momento de alegria e paz. Se vocês se sentam como se fosse um trabalho duro, isso não resultará em nada. Assim o problema não é sentar-se em demasiado, mas gostar do ato de sentar, e fazê-lo agradável.
Nós deveríamos usar nossa inteligência para fazer a meditação sentada. É como quando você pára e contempla um lindo pôr-do-sol. Se eu lhe pergunto, "qual é o propósito de parar ali e olhar um pôr-do-sol?" você não vê nenhum propósito -- simplesmente pára e desfruta aquele belo pôr-do-sol. Se sentar é igual a isso. Se alguém diz, "Por que você se senta assim? Qual é o propósito de se sentar assim?" você poderia dizer, "eu simplesmente gosto de sentar". Esse é o melhor modo de se sentar, simplesmente gostar de sentar. Vocês sabem, quando Nelson Mandela, o presidente da África do Sul, veio para sua primeira visita oficial à França, encontrou-se com a imprensa, e os repórteres lhe perguntaram o que ele mais gostaria de fazer agora, ele disse, "Simplesmente sentar-me, porque desde o tempo que saí de prisão não tive uma chance para me sentar e não fazer nada." E agora Plum Village lhe oferece esta oportunidade, apenas sentar e não fazer nada. Sentar-se e não fazer nada assim, se vocês desfrutarem isto, promoverá muita transformação e cura.
Assim em nossos debates de Dharma, por favor não se arrisquem em especulações, mas reúnam nossas experiências relacionadas a como podemos usufruir melhor de nosso ato de sentar, nossa respiração, nosso andar e nosso comer juntos. A energia que lhe ajuda a ter sucesso em vivenciar o prazer é a plena consciência, porque a plena consciência é a capacidade de estar presente, corpo e mente unidos, de forma que vocês podem tocar a vida profundamente naquele momento.
A energia de plena consciência pode ser gerada através do andar atento, pode ser gerada através da respiração atenta. Pode ser gerada fazendo coisas, ou comendo atentamente, trabalhando atentamente, andando atentamente, se sentando atentamente, respirando atentamente. Plena consciência, como eu a defino, é a energia que pode lhe ajudar a estar presente, no aqui e o agora. De vez em quando, vemos uma pessoa sentando-se, mas ela realmente não está lá. Seu corpo está lá, mas ela está completamente ausente. Nós podemos ir, bater levemente no ombro dela e dizer, "Alguém em casa?" e então ela voltará para nós. Assim a plena consciência é estar presente, corpo e mente unidos no aqui e agora. Plena consciência é a capacidade de reconhecer o que está presente. Porque vocês têm que estar lá primeiro, e quando estão presentes qualquer outra coisa também estará ali, e isso é vida. O bonito pôr-do-sol não será para você se você não está lá. O céu azul não será para você se você não está lá. E a multitude de elementos maravilhosos, refrescantes e curativos não serão para vocês se vocês não estão presentes. Isto por si só é um presente, porque quando você ama alguém, a coisa mais preciosa que gostaria de oferecer a ela ou a ele é sua presença, porque como você pode amar a menos que você esteja ali? Por favor contemplem profundamente para ver isto: o mais valioso presente que vocês podem dar a seu amado é a sua presença. Então, estar presente significa estar amando. "Querido(a) eu estou aqui para você". Essa é a declaração de amor mais significativa. Se você não está lá, se sempre está ausente, se o lugar que está acostumado a ir é o passado ou o futuro, então você não pode amar. Quando você está presente, pode oferecer sua presença como um presente, e então pode fazer qualquer outra coisa, pode reconhecer a presença de seu amado: "Querido(a), sei que você está aí, e eu estou muito contente." Ser amado significa ser reconhecido como alguém que existe. Se você está muito ocupado, se não está presente, então a pessoa que ama terá o sentimento de que ela é ignorada por você, ela não quer dizer nada para você. Eis porque, quando está presente, você está em uma posição de reconhecer o que está ali, e o que está ali é o seu amado, é a vida. O Buddha disse, a vida só está disponível no aqui e agora, e seu compromisso com a vida está no momento presente. Se vocês perdem o momento presente, arriscam seu compromisso com a vida. Assim o ensinamento é muito claro e também muito simples: que nós deveríamos nos treinar para ir para a casa do aqui e agora, e tocar profundamente a vida que está disponível naquele momento. E tudo o que nós fazemos, caminhar, se sentar, respirar, comer, é para realizar isso.
(três sinos)
[Fim da Palestra de Dharma]
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