Retorna a página principal

As Quatro Confianças

Meihô Gensho

As Quatro Confianças
Veiculado em 10/08/2003

Tradução revisada por Padma Dorje
Comentários por Monge Guenshô

Buda estabeleceu o princípio das quatro confianças:

1.Não confie na pessoa, confie na doutrina.

Isso significa não tomar o mestre como repositório da perfeição, não o idolatrar. Um bom mestre puxa o tapete do aluno quando este o coloca em um pedestal. Uma vez, Monge Tokuda, respondendo a uma pergunta, olhou para o lado e, com uma careta, perguntou à assistente, sua aluna: - "falei besteira, não foi?". Esta humildade é a "doutrina além da pessoa". O mestre também tropeça, também deixa cair comida na toalha. Sua realização transparece onde não se espera.

2.Sobre a doutrina, não confie nas palavras, confie no significado.

As palavras são cheias de armadilhas; é praticamente impossível ensinar o Zen com palavras. As anedotas e historietas são melhores por pedirem um "salto" mental de compreensão que, se explicado, perde a graça. Um texto famoso como o Sutra do Diamante termina com Buda "retirando as palavras" que proferiu, já que elas são pálida idéia do que pretendia transmitir. Por isso o Zen Budismo insiste na transmissão "i shin den shin", ou seja, da minha mente para a sua mente.

3.Com relação ao significado, não confie no significado sujeito à interpretação, confie no significado definitivo.

As discussões sobre o significado das palavras, sua etimologia, seu contexto, embora úteis, o são apenas relativamente. Em geral, trazem apenas mais discussão bizantina, referências a mais textos, orgulho erudito, e dispersam o aluno no emaranhado vasto dos textos, alguns contestados, outros acusados de apócrifos, etc...Melhor calar e tentar apreender o significado último que vem através de insights intransmissíveis por raciocínios. O mapa não é o caminho. Os textos são mapas, mas não têm nada a ver com o cansaço, o perfume do vento, os calos nos pés, o gosto da água do cantil quando estamos com sede, nem com a alegria da vista da montanha: este é o caminho real que ninguém pode trilhar por você.

4.Com relação ao significado definitivo, não confie na mente ordinária, confie na Grande Sabedoria [prajna].

A mente ordinária é individual, quer entender para si. Não percebe que todo o universo respira junto com ela. Na outra margem existe uma mente que não é a sua, mas a qual você pertence indissociavelmente. Atingida essa Grande Sabedoria, não há mais dúvida, tampouco explicações. O significado definitivo não pode ser abrangido pela mente ordinária que pensa e cogita. Assim, as discussões são, em última instância, inutilidades. Milhares de anos de filosofia não atingiram a outra margem, mas geraram muitos combates. É preciso estar além da mente ordinária, calá-la para que a Grande Sabedoria tenha espaço para se manifestar.



Retorna
 
Este espaço de estudos Buddhistas é representante oficial do Colegiado Buddhista Brasileiro no Rio de Janeiro
 
© 2008 - Sala de Estudos Buddhistas Leigos ZhongDao - Rua Aristides Espínola, 88/802 - Leblon, Rio de Janeiro - Webdesign por Miklos