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Adittapariyaya Sutta - O Sutra do Fogo

Adittapariyaya Sutta
Samyutta Nikaya XXXV.28
-- O Sutra do Fogo –

 Este sutra foi proferido por Gautama Buddha diante de seus discípulos e de adeptos da seita adoradora de Agni, divindade do Fogo.

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This Sutta was translated from the Pali by Thanissaro Bhikkhu. Tradução ao português por Claudio Miklos. Trechos entre colchetes são de responsabilidade do tradutor.

 

Assim eu Ouvi:

 Em uma ocasião o Abençoado estava residindo em Gaya, no Gayasisa, junto a mil monges [e junto a estes adeptos de Agni]. Então ele assim dirigiu-se a todos:

 “Monges, o Todo está em chamas. E qual Todo está inflamado?”.

 “Os Olhos são chamas. As formas são chamas. A Consciência do Olhar está em chamas. O Contato do Olhar está em chamas. E tudo o que surge dependente do contato de visão - experimentado como prazer, dor ou indiferença [fingindo-se nem prazer nem dor] -, isto também está inflamado. E está em fogo devido a quê? Está em chamas devido ao fogo das paixões, o fogo das aversões, o fogo das delusões. Em chamas, Eu lhes digo, devido ao nascimento, envelhecimento e morte, devido às tristezas, lamentações, dores, angústias e desesperos”.

 “Os Ouvidos são chamas. Os sons são chamas. A Consciência do Ouvir está em chamas. O Contato do Ouvir está em chamas. E tudo o que surge dependente do contato de audição - experimentado como prazer, dor ou indiferença [fingindo-se nem prazer nem dor] -, isto também está inflamado. E está em fogo devido a quê? Está em chamas devido ao fogo das paixões, o fogo das aversões, o fogo das delusões. Em chamas, Eu lhes digo, devido ao nascimento, envelhecimento e morte, devido às tristezas, lamentações, dores, angústias e desesperos”.

 “O Nariz é chama. Os aromas são chamas. A Consciência do Cheirar está em chamas. O Contato do Cheirar está em chamas. E tudo o que surge dependente do contato de olfato - experimentado como prazer, dor ou indiferença [fingindo-se nem prazer nem dor] -, isto também está inflamado. E está em fogo devido a quê? Está em chamas devido ao fogo das paixões, o fogo das aversões, o fogo das delusões. Em chamas, Eu lhes digo, devido ao nascimento, envelhecimento e morte, devido às tristezas, lamentações, dores, angústias e desesperos”.

 “A Língua é chama. Os sabores são chamas. A Consciência do Degustar está em chamas. O Contato do Degustar está em chamas. E tudo o que surge dependente do contato de paladar - experimentado como prazer, dor ou indiferença [fingindo-se nem prazer nem dor] -, isto também está inflamado. E está em fogo devido a quê? Está em chamas devido ao fogo das paixões, o fogo das aversões, o fogo das delusões. Em chamas, Eu lhes digo, devido ao nascimento, envelhecimento e morte, devido às tristezas, lamentações, dores, angústias e desesperos”.

 “O Corpo é chama. As sensações táteis são chamas. A Consciência do Tocar está em chamas. O Contato do Tocar está em chamas. E tudo o que surge dependente do contato de tato - experimentado como prazer, dor ou indiferença [fingindo-se nem prazer nem dor] -, isto também está inflamado. E está em fogo devido a quê? Está em chamas devido ao fogo das paixões, o fogo das aversões, o fogo das delusões. Em chamas, Eu lhes digo, devido ao nascimento, envelhecimento e morte, devido às tristezas, lamentações, dores, angústias e desesperos”.

 "O Intelecto [a mente racional] é chama. As idéias são chamas. A Consciência do Intelecto está em chamas. O Contato do Intelecto está em chamas. E tudo o que surge dependente do contato do intelecto - experimentado como prazer, dor ou indiferença [fingindo-se nem prazer nem dor] -, isto também está inflamado. E está em fogo devido a quê? Está em chamas devido ao fogo das paixões, o fogo das aversões, o fogo das delusões. Em chamas, Eu lhes digo, devido ao nascimento, envelhecimento e morte, devido às tristezas, lamentações, dores, angústias e desesperos."

 “Percebendo assim, o nobre e instruído discípulo desenvolverá o desapego aos olhos [ao que vê], desapego às formas, desapego da consciência do Olhar, desapego ao contato com o Olhar. E o que quer que possa surgir em dependência do contato da visão, experimentado como prazer, dor ou indiferença: destas coisas ele também desapegar-se-á”.

 “O nobre e instruído discípulo desenvolverá o desapego aos ouvidos [ao que ouve], desapego aos sons, desapego da consciência do Ouvir, desapego ao contato com o Ouvir. E o que quer que possa surgir em dependência do contato da audição, experimentado como prazer, dor ou indiferença: destas coisas ele também desapegar-se-á”.

 “O nobre e instruído discípulo desenvolverá o desapego ao nariz [ao que cheira], desapego aos odores, desapego da consciência do Cheirar, desapego ao contato com o Cheirar. E o que quer que possa surgir em dependência do contato do olfato, experimentado como prazer, dor ou indiferença: destas coisas ele também desapegar-se-á”.

 “O nobre e instruído discípulo desenvolverá o desapego à língua [ao que degusta], desapego aos sabores, desapego da consciência do Degustar, desapego ao contato com o Degustar. E o que quer que possa surgir em dependência do contato do paladar, experimentado como prazer, dor ou indiferença: destas coisas ele também desapegar-se-á”.

 “O nobre e instruído discípulo desenvolverá o desapego ao corpo [ao que sente], desapego às sensações, desapego da consciência do Tocar, desapego ao contato com o Tocar. E o que quer que possa surgir em dependência do contato do tato, experimentado como prazer, dor ou indiferença: destas coisas ele também desapegar-se-á”.

 “O nobre e instruído discípulo desenvolverá o desapego ao intelecto [ao que racionaliza], desapego às idéias, desapego da consciência do Intelecto, desapego ao contato com o Intelecto. E o que quer que possa surgir em dependência do contato do intelecto, experimentado como prazer, dor ou indiferença: destas coisas ele também desapegar-se-á”.

 "Desapegado, ele se torna além das paixões. Através da superação das paixões, ele estará completamente livre. Com a plena Liberdade, há o entendimento de ´Estar plenamente Liberado´. Ele discerne que ´[a necessidade dos] renascimentos estão superados, a vida sagrada atingida, a tarefa feita. Nada mais há para ser realizado neste mundo.´"

 Isto foi o que o Abençoado disse. Gratificados, os monges alegraram-se com suas palavras. E enquanto suas argumentações estavam sendo proferidas, os corações de mil monges, através do não-apego (não sendo apegados), foram completamente liberados das fermentações e dos [maus] efluentes.



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