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Po-shan san-ch´na ching-yü

Po-shan san-ch´na ching-yü
"Advertências de Po-chan sobre o estudo do [Koan] Zen"

Tradução ao portugues por Tam Huyen Van


No esforço (kung-fu) de compreender o Zen, é necessário cultivar um forte desejo de extinguir a mente sujeita a [movimentar-se entre] nascimento e morte. Quando este desejo é despertado, o Yoguin sente como se estivesse envolvido em fogo abrasador. Ele deseja escapardisso. Ele não pode simplesmente percorrê-lo, não pode permanecer quietamente nele, não abriga nenhum pensamento inativo, ele não anseia que outros o ajudem a escapar. Uma vez que nenhum momento é perdido, tudo que ele precisa fazer é despojar-se de tudo isso [essas angústias] com o máximo de sua força, sem permitir ser perturbado pelo pensamento de conseqüências.

Uma vez que o desejo é cultivado, o próximo passo é mais técnico no sentido de que um espírito questionador deve ser despertado e mantido vivo, até surgir o momento final de solução [do koan]. O questionamento relaciona-se com o "de onde" do nascimento e o "para onde" da morte, e o ser constantemente nutrido pelo desejo de superá-los. Isto é impossível a menos que o espírito de questionamento amadureça, ultrapassando seus limites até o estado de satori.

O método de amadurecimento [do correto espírito de reflexão sobre o koan] consiste principalmente em:

1. Não ansiar pelas coisas mundanas.

2. Não se apegar a um estado de quietude.

3. Não se perturbar pela pluralidade dos objetos.

4. Estar constantemente atento a si mesmo, comportando-se como um gato que persegue um rato.

5. Concentrar sua energia espiritual no koan.

6. Não tentar resolvê-lo intelectualmente, uma vez que não há nele nada que aponte para isso.

7. Não tentar ser apenas esperto sobre ele.

8. Não tomá-lo como se fosse um estado de não-ação.

9. Não tomar um estado de transparência por finalidade.

10. Não recitar o koan como se ele fosse a prática do Nembutsu ou uma forma de Dharani.

Quando estas precauções são seguidas propriamente, o Yoguin certamente conduzirá seu espírito de questionamento a um estado de maturidade. Senão, não apenas o espírito se recusa a ser esclarecido, mas o Yoguin estará sujeito a sucumbir aos caminhos errados e jamais será capaz de superar as amarras do nascimento e morte, ou seja, compreender a verdade do Zen.

Os caminhos errados nos quais o Yogin pode sucumbir são:

1. Intelectualismo, através do qual o Koan é forçado a se adaptar à concepções lógicas.

2. Uma estrutura mental pessimista através da qual o Yoguin afasta-se de ambientes por serem desfavoráveis à quieta contemplação.

3. Quietismo, pelo qual o Yoguin tenta reprimir idéias e sentimentos para assim atingir um estado de tranqüilidade ou perfeito vazio da mente.

4. A tentativa de classificar ou criticar, de acordo com a sua pessoal interpretação intelectual, todos os Koans perpetuados pelos antigos mestres.

5. A compreensão de que existe algo interno a este corpo de combinações variadas, cuja inteligência brilha através os diferentes órgãos dos sentidos.

6. E que através destas funções corporais realiza atos bons ou maus.

7. Ascetismo, no qual o corpo é inutilmente objeto de todas as formas de mortificações.

8. A idéia de acumulação de méritos para que o Yoguin atinja o Estado Búddhico ou a liberação final.

9. Libertinagem, na qual não há auto-regulação ou conduta, seja moral ou de outro tipo.

10. Megalomania e presunção.

Estes são, em resumo, os caminhos daqueles cujo espírito de questionamento não é sincero e que portanto não está de acordo com o espírito do exercício Koan.


"Extrato do livro ´The Zen Koan as a means of Attaining Enlightenment´, D.T.Suzuki"
 



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