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Sutra do Refúgio em Si Mesmo
Sutra sobre o Tomar Refúgio em Si Mesmo
Versão compilada por Thich Nhat Hanh, no "Chanting and Recitation Book", Parallax Press.
Tradução ao Português por Tam Huyen Van.
Assim ouvi as palavras do Buddha certa vez quando o Senhor estava no Bosque das Mangueiras, sob a refrescante sombra destas árvores ao longo das margens de um rio na província de Magadha. Os anciãos Shariputra e Maudgalyayana tinham recentemente morrido. Foi no dia de lua cheia da Cerimônia Uposatha e os preceitos foram recitados.
O Buddha espalhou sua esteira e sentou-se encarando a comunidade. Após olhar as pessoas reunidas ele disse, "Enquanto olho para nossa comunidade, vejo um grande espaço deixado pelos veneráveis Shariputra e Maudgalyayana. Em nosso Sangha, estes veneráveis foram os monges que mais eloqüentemente proferiram palestras de Dharma, encorajando e instruindo todos os outros monges, monjas e leigos".
"Ó monges, as pessoas buscam dois tipos de riquezas - as riquezas materiais e as riquezas do Dharma. Em sua busca por riquezas materiais, elas podem ir às pessoas mundanas. Em sua busca pelas riquezas do Dharma, elas sempre podiam ir aos Veneráveis Shariputra e Maudgalyayana. O Tathagata é alguém que não está buscando por nada, seja matéria ou Dharma".
"Ó monges, não fiqueis tristes ou angustiados por Shariputra e Maudgalyayana penetrarem o Nirvana. Em grandes árvores, plenas de folhas, frutas saborosas e flores, os ramos mais largos sempre morrem ou se quebram primeiro. Nas montanhas brilhantes, não erodem os grandes picos antes dos menores? No Sangha do Tathagata, os Veneráveis Shariputra e Maudgalyayana forma os maiores estudantes. Portanto é natural que estes veneráveis entrassem no Nirvana primeiro. Não dêem margem para que os sentimentos de tristeza e angústia cresçam dentro de vós".
"Todos os fenômenos que nascem, existem e são objeto de influência de outros fenômenos, em outras palavras, todos os fenômenos compostos, devem viver sob a lei da impermanência e eventualmente cessam de existir. Eles não podem eternamente existir, sem que um dia sejam destruídos. Tudo que nós acalentamos e mantemos como muito queridos hoje, teremos que deixar partir e separar-se de nós no futuro. Em um tempo não muito distante, também eu irei passar. Portanto, eu vos exorto a praticar em ser uma ilha em vós mesmos, sabendo como tomar refúgio em vós mesmos, e a não tomar refúgio em ninguém ou nenhuma outra coisa.
"Pratiquem o tomar refúgio na ilha do Dharma. Saibam como tomar refúgio no Dharma, e a não tomar refúgio em qualquer ilha ou pessoa. Meditem sobre o corpo através do corpo, desenvolvendo a Correta Compreensão e consciência para dominar e transformar vossas paixões e ansiedades. Eis o modo de tomar refúgio na ilha do Eu, de retornar a vós mesmos de forma a buscar refúgio no Dharma, e a não buscar refúgio em nenhuma outra ilha ou coisa."
Quando os Bhikshus ouviram tal ensinamento do Buddha, ficaram imensamente felizes em colocá-lo em prática.
Samyukta Ágama 639. Taisho Tripitaka Revisado 99.
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